sábado, 22 de agosto de 2015

Ortografia (II) - j ou g?

Em fevereiro de 2015, tratamos  da ortografia e um pouquinho da história que a acompanha. Como disse na ocasião,  o AOLP (1927-1931) buscou tratar do  substrato linguístico dos vocábulos da Língua Portuguesa no Brasil: palavras de origem árabe (1), africana (2) e indígena (3)

Para esses vocábulos, convencionou-se empregar j (e não g), x (em vez de ch) e ç (em lugar de ss). 

Assim, teremos: 


com J


  • jaca, jacu, javali, laranja, laranjeira, Najir,... - de origem árabe;
  • acarajé, canjica, canjerê, ... - de origem africana;
  • pajé, jiboia, jerimum, jenipapo, jiló, jirau, Moji,  ... - de origem indígena.  


com X

  • xeque (xeque-mate), xadrez, xerife, xaveco, xarope, xadrez,... - de  origem árabe;
  • caxumba, Caxambu, axé, Xangô, orixá, Oxalá, ... - de origem africana;
  • xavante, Poxoréu, abacaxi, xaxim, Xingu, ...- de origem indígena. 


com Ç

  • moçárabe, açúcar, almoço, açougue, açude, ... - de origem árabe; 
  • cachaça, miçanga, caçamba, ... - de origem africana;
  • açocê, açaí, açu, Paraguaçu, Iguaçu, Turiaçu,... - de origem indígena. 
Para um passeio pela História da Língua Portuguesa no mundo, veja o apaixonante livro do professor Paul Teyssier (4), das preciosas informações sobre história da Língua Portuguesa no Brasil (HLP) da professora Rosa Virgínia Mattos e Silva (5). No mesmo sítio do Instituto Camões,  você poderá acessar várias subpáginas confiáveis a respeito da L.Portuguesa.

Voltaremos a esse assunto mais adiante, quando abordaremos o AOLP de 1943 - a meu ver, o mais bem  (até agora) estudado e preparado. 

Por enquanto, observe a natureza a (ou à) sua volta e busque encontrar vocábulos dessas três origens,  que nomeiem coisas, seres, acontecimentos... É uma viagem bem interessante ao mundo das palavras 

Bom divertimento e boas descobertas! 


  

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(1) https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_palavras_portuguesas_de_origem_%C3%A1rabe 
(2) http://arquivo.geledes.org.br/areas-de-atuacao/educacao/planos-de-aula/planos-mais-lidos/8221-plano-de-aula-palavras-de-origem-africana-usadas-em-nosso-vocabulario
(3) http://helenaconectada.blogspot.com.br/2011/04/palavras-de-origem-indigena-presentes.html
(4) http://disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile.php/158086/mod_resource/content/1/TEYSSIER_%20HistoriaDaLinguaPortuguesa.pdf
(5) http://cvc.instituto-camoes.pt/hlp/hlpbrasil/index.html   

domingo, 16 de agosto de 2015

Quem gosta de gerúndios?

Você sabe o que é um gerúndio? E para que ele serve?

Vamos à gramática: é a forma verbo-nominal de ação delongadora. Traduzo: ele tanto serve como verbo (é verbo na origem, portanto ação) quanto nome (forma sintática adverbial) com aspecto delongador (ação em desenvolvimento). Exs.: 
          Estamos conversando há duas horas. (ação em desenvolvimento no momento da                       fala)
           Eles estão viajando  e só voltarão na próxima semana.  (ação em desenvolvimento)
          João estava visitando a fábrica, quando você telefonou. (idem)
          Chegando ao escritório, ligue para mim. (= quando você chegar...> valor adverbial)


Quando seu emprego é impróprio, então?

Na prática, quando não for empregado nas situações acima, principalmente por má tradução dos textos em inglês com o gerúndio -ing das falas de telemarketing : I'll be sending you tomorrow (Mandarei a você amanhã), We'll be calling (ou we'll call) him later (Nós o chamaremos/telefonaremos para ele mais tarde).


Por que isso ocorre?

Pelo uso abusivo dessas formas ouvidas e lidas a todo momento, o contágio é inevitável. A outra possibilidade de interpretação é a que consiste numa intenção de quem fala (ou escreve). Cabe a nós, sabendo da impropriedade, vigiar-nos e, principalmente, procurarmos outras formas que sejam da Língua Portuguesa: empregue o futuro ou o imperfeito, tempos mais adequados às relações nessas construções. Exs.:
          Nós estávamos visitando a fábrica, quando o diretor chegou. 
    Melhor:  Visitávamos a fábrica quando o diretor chegou. (imperfeito indica ação em                            desenvolvimento quando uma outra ocorre)
          Eles prometeram que estarão enviando o material amanhã. (eles não vão ficar                       enviando, enviando, enviando...)
    Melhor: Eles prometeram que enviarão o material amanhã.


Cuidado:  quanto mais verbos você juntar em formas duplas (vão enviar, estarão enviando) ou triplas (vão estar enviando) ou a horrível quádrupla (vão poder estar enviando) mais se afastará da objetividade textual  e da confiabilidade do significado que deseja passar ao interlocutor.  A propósito veja o hilário (e exagerado, claro!) texto  "A invasão dos gerúndios assassinos" (1) de David Cohen, para sensibilizar aqueles que podem estar falando uma língua estranha (e descuidada) a todo momento.  E aproveite para ler um pouco mais a respeito de outros descuidos tanto da língua oral, quanto da escrita (2), como um reavivamento das formas desprestigiadas na língua escrita, principalmente nas linguagens empresarial, técnica, acadêmica e científica. 

Veja que você pode usar gerúndios, desde que bem empregados, claro. É uma forma legítima da Língua Portuguesa, embora nossos descobridores prefiram infinitivos: estou a acabar por aqui, pessoal. 

Boa semana!

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(1) https://portalesafaz.sefaz.pe.gov.br/moodle/cursos/Curso_Redacao_Oficial/red_mod1/gerundios_assassinos.pdf
(2)  https://portalesafaz.sefaz.pe.gov.br/moodle/cursos/Curso_Redacao_Oficial/red_mod1/revista_veja.pdf



domingo, 9 de agosto de 2015

Impropriedades (II)

Em continuidade às impropriedades que invadem nosso discurso vez por outra, hoje trataremos destes três: a partir de x com base em x desde; ao invés de x em vez de; entre x de (construções por paralelismo). 


A partir de x com base em x desde

A partir de (1) - marca ponto de partida geográfico e temporal.  Exs.: 
               A partir de São Paulo, são 98 km até Campinas.
               Contei doze passos a partir da porta de entrada até o hall social do prédio. 
    
          Se o  ponto de partida for temporal, a expressão será empregada para indicar                   ponto de partida do presente para o futuro e do futuro para o futuro. Exs.: 
               A partir de hoje trabalharemos com novas condições de pagamentos.
               Atenderemos em novos horários a partir do próximo mês.

          Se esse ponto de partida for passado em relação ao presente, usa-se desde: 
                Desde a semana passada ele está trabalhando nessa proposta. 
                Fazia tempo que não construía planilhas: desde o ano passado. 

Com base em (2)  - se você usou dados ou informações/obras de autores relevantes para seu trabalho, prefira a expressão com base em  (ou baseado/baseada em): 
               Fiz o relatório de vendas com base nos dados que me enviou.
               Baseada nas lições de Bakhtin, analisei o discurso da proposta.
               Pedro Luís soube defender suas ideias com base no que conversamos.   


Ao invés de x em vez de

Ao invés de - essa expressão opera na frase para ligar ações inversas, de oposição, pois invés  é derivado de inverso. 
               Ao invés de Carlos subir para conversar com o cliente, desceu para 
              buscar os papéis de que precisava para a reunião. (subir é o inverso de descer)

Em vez de -  marca relação de substituição (= trocar a vez): 
               A reunião, em vez de ser no 3.º andar, acontecerá na sala 5 do 4.º. 
               Em vez de almoçarem com o cliente, marcaram uma visita à fábrica.  

Entre x de 

Entre - essa preposição, em paralelismo de construção, exige a conjunção e, pois são dois pontos (daí o paralelo) que se consideram: 
               Entre a porta e a janela ficam as estantes.
               Não consegue decidir entre férias totais  e  parciais.

De -   essa preposição, no mesmo tipo de construção paralelística, exige a preposição a, pois o "de" marca o ponto de partida e o "a", o de chegada: 
               Trabalhamos de segunda a sexta, das 8 às 16h30. 
               Pediram-me, para exame de auditoria, os balancetes de abril a junho de 2015.

Como vê, de certo a impróprio, é só um descuido. 

Boa semana. 

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(1) A grafia dessa expressão é feita com três palavras separadas: a  partir  de.  Não há crase antes do verbo          (partir).
(2)  Não empregue  essa expressão como sinônima de "a partir de". Ex. do erro: Redigi o relatório a partir dos dados de vendas que me mandou. O correto é: Redigi o relatório com base nos dados de vendas...


sábado, 25 de julho de 2015

Hífen para o bem e o mal

Se há um assunto que nos desespera, em matéria de Língua Portuguesa, é o emprego do hífen.  E, se eram ruins as explicações antes do Acordo Ortográfico de 2009, depois disso as justificativas para a ocorrência dele beiram o exaspero.   Poucos casos fazem sentido para nós  e reclamar não resolve as dúvidas.   O melhor a fazer é consultar o sítio da Academia Brasileira de Letras (1) e encontrar a grafia do vocábulo.

Um aluno pergunta-me a respeito do bem e do mal. Quando empregamos hífen com eles?

Bem

Bem, como prefixo, sempre exige o hífen: bem-arrumado, bem-educado, bem-feito, bem-  -querer, bem-sucedido. Isso está no AOLP, mas há  compostos em que o bem  aglutina-se ao vocábulo seguinte: bendizer, benfazer, benfeitoria, benquisto.      

Pergunta inevitável: Sabemos como  e quando isso ocorrre?  Com certeza, não. Só o tempo responderá pelo uso que se estabelece. 

Mal

Mal, como prefixo, exige hífen antes de vocábulos começados por vogal, h e l: mal-agradecido, mal-afamado, mal-estar, mal-humorado, mal-lavado.


Importante: quando bem e mal  forem usados como advérbios, ficarão separados; não se juntarão por hífen, nem se aglutinarão (2): 

                    Um teste bem elaborado, mas mal aplicado, traz prejuízos.
                   Seu questionário bem conduzido reverterá em entrevistas preciosas. 
 

Para os casos de dúvidas, repito: consultem o VOLP e os dicionários de Caldas Aulete (3) ou de Antonio Houaiss (4). 


De resto, como costumo brincar em aulas: só jejum e oração.


Uma ótima semana.    

 




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(1) http://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario?sid=23 .
(2) Veja mais a respeito do hífen em: http://www12.senado.gov.br/manualdecomunicacao/redacao-e-estilo/estilo/hifen .
(3) http://www.aulete.com.br
(4) http://houaiss.uol.com.br/

Plurais negligenciados (I)

Nos últimos meses tenho encontrado com muita frequência erros na concordância nominal com alguns vocábulos, em textos de executivos.  Para corrigi-los, vamos começar com dois deles: qualquer e referente


Qualquer 

Qualquer é pronome indefinido formado por dois elementos: qual e quer.  O primeiro deles é pronome relativo e, como tal, flexiona (tem plural), concordando com o nome a que se liga sintaticamente; 
          Qual aluno foi encarregado do cartaz sobre a exposição?
          Quais alunos participarão do concurso?
O segundo (quer) é verbo conjugado na 3.ª pessoa do singular do presente do Indicativo.  Por ser verbo, não tem flexão nominal (plural com -s).  Por estarem ligados, apenas o pronome flexionará: quaisquer. Assim teremos:

                     Qualquer informação será bem-vinda. 
                     Estamos à disposição para quaisquer dúvidas a respeito do contrato. 


Referente 

Referente é adjetivo e, como tal, sofre flexão nominal (masculino, feminino, singular, plural).  Como termina em -e  não se altera para o masculino e feminino, como em: rapaz inteligente, menina brilhante,  proposta interessante,  documento ambivalente.  Flexiona, entretanto, no plural:  rapazes inteligentes, meninas brilhantes, propostas interessantes, documentos ambivalentes.  Por isso, referente  vai para o plural, concordando com o substantivo a que se liga sintaticamente. Observe: 

                    A carta-proposta referente à venda de alumínio foi assinada por Júlio. 
                    As alterações referentes aos preços foram contempladas no e-mail
                    Encaminhei ao cliente  a nova lista de preços referente a agosto de 2015.

Certamente você deve ter visto alguns desses plurais negligenciados.   Reveja seus 
e-mails e corrija o que for necessário. Revise com cuidado esses plurais. 

Boa semana.   

domingo, 12 de julho de 2015

O "quê" e a falsa regência

Em nossos textos (orais e escritos) usamos e abusamos dos "quês".  Eles são muito práticos e ajudam-nos na coesão sintática. Na língua oral, especialmente, prendemos a atenção de nossos ouvintes à espera de uma continuidade do discurso. 

Na língua escrita, entretanto, devemos ter muita cautela em seu emprego, pois o uso abusivo leva o leitor ao cansaço e à ambiguidade textual. Ex.: O livro do aluno que estava na sala de música foi visto na sala de ginástica.

Além do desconforto do trabalho de ressignificar o texto e encontrar seu verdadeiro objetivo, perdemos a linha condutora da informação e gastamos mais tempo na comunicação, o que lhe contraria as qualidades básicas desejáveis: objetividade, clareza e concisão.

Como dissemos em várias aulas sobre construção textual, o ideal de uma mensagem forte, impressiva, convincente está em empregarmos um"quê" a cada três linhas (folha A4, fonte arial, tamanho 12). A cada novo "quê" acrescentado, abre-se a oportunidade de  novas interpretações e riscos de derivações e divergências. 

Além desse inconveniente, devemos ter cuidado com outros "quês" e seus correlatos (porque, já que,...). Eles se juntam, sub-repticiamente (com hífen), a outros vocábulos  formando construções condenáveis em redações nas quais se exige qualidade e correção.  Vejam estas impropriedades morfossintáticas:  
          mesmo porque, até porque, quase que, enquanto que.

Estão erradas, portanto, estas ocorrências: 
          O sistema de saúde no Brasil é falho,  mesmo porque faltam médicos e instalações             decentes para a prática da Medicina. 
          Deixamos de atender o cliente até porque ele atrasou o pagamento neste mês. 
          Ele quase que contou, na reunião, o que sabia sobre a proposta do concorrente.
          Entregaremos parte do pedido, enquanto que o resto vai sendo produzido.   
           
As corretas - e desejáveis - estão aqui:

          O sistema de saúde no Brasil é falho, porque faltam médicos e instalações                               decentes para a prática da Medicina. 
          Deixamos de atender o cliente porque (ou pois) ele atrasou o pagamento neste                          mês. 
          Ele quase contou, na reunião,  o que sabia sobre a proposta do concorrente.
          Entregaremos parte do pedido, enquanto o resto vai sendo produzido.

Aqui vai um convite para esta semana:  procure retirar os excessivos "quês" de sua comunicação escrita.  Você verá, aos poucos, não apenas os gerúndios e as frases longas deixarem seu texto e darem lugar à concisão, clareza, objetividade, simplicidade, como também uma comunicação sadia e gratificante nascer em seu lugar.  

Boa semana!



domingo, 5 de julho de 2015

Fraseologia latina (II)

Expressões em Latim


Hoje daremos continuidade à fraseologia latina, a pedido de um ex-aluno de MBA cujo líder gosta de empregar latinismos em reuniões. 


Ad multos annos vivas!  - que tu vivas muitos anos! Ao cumprimentar alguém por ocasião de seu aniversário, com essa expressão desejamos vida longa a ele.


Aequo animo (pronuncia-se /équo ânimo/) - com mesmo ânimo, com ânimo igual, com mesma disposição:  
               Há mais de 30 anos ele trabalha com atendimento ao cliente aequo animo.

Amicus Plato, sed magis amico veritas  Platão é amigo, mas mais amiga é a verdade. Provérbio citado para exprimir que a autoridade de um grande nome (como o de Platão) não basta para impor uma opinião; é necessário que ela esteja de acordo com a verdade (ou seja verdadeira), para que a aceitemos. 

Ave, Caesar - Salve, César! Expressão para cumprimentar à entrada em local onde haja o líder (César). Quando sair, diz-se: Vale, Caesar!  - Tenha saúde/ passe bem, César!, numa tradução livre. 

Et caetera (ou et coetera) (pronuncia-se /et cétera/) - abreviada por meio das três primeiras letras, significa  outras coisas, e o resto.  Use  a expressão  apenas, de acordo com o significado, para sequência de coisas: 
               Na loja de material de construção, compramos cimento, cal, pedregulhos etc.

Obs.: embora alguns linguistas admitam o etc.para pessoas e coisas, a melhor expressão está em empregá-la apenas para coisas, elementos, lugares, situações.  Para a sequência de pessoas, prefira: e outros, entre outros. Ex.:  Pedro, Luís, Sílvia, entre outros, participarão da reunião com o pessoal da matriz.   É importante observar que, na língua oral, o etc. substitui  resto de discurso, às vezes numa sequência caótica, na pressa que sentimos na elocução de uma ideia: 
                No ano passado viajamos para a Europa. Foi maravilhoso!  Pudemos conhecer
                Paris, a Torre Eiffel, Veneza, a Fontana de Trevi, Pompeia, Roma, Londres, 
                o Palácio de Buckingham etc.   

Veja que, na sequência, apresentam-se nomes de cidades, monumentos, pontos turísticos de modo caótico, à medida que as lembranças afloram.    Na escrita, entretanto, cuidado. Organize os dados: do geral para o particular, ou do particular para o geral. Ex.: 
               No ano passado, viajamos para a Europa. Foi maravilhoso! Pudemos conhecer
               França, Itália, Inglaterra; em Paris, visitamos a Torre Eiffel; na Itália,
               conhecemos cidades como Roma, Veneza, Pompeia; em Roma, a Fontana
               de Trevi e, na Inglaterra, apenas Londres e o Castelo de Buckingham.

Importante:  O mesmo deve ser observado quando você estiver enumerando objetivos nos seus trabalhos de TCC, Mestrado, Doutorado, nos itens de uma proposta: do maior para o menor, ou do menor para o maior.  A experiência, entretanto, tem-nos mostrado que, ao se enumerarem itens dos gerais (maiores) para os particulares (menores), torna-se mais fácil a redação e a completude do trabalho.

Na oralidade, com a pressa que a fala exige, atropelamos um etc. com outro etc. Ex.: 
               Ontem tivemos duas reuniões, recebemos três visitas de clientes, um                                        almoço de negócios  etc., etc., etc. Foi um dia terrível!

Como a ansiedade é grande para o término da sequência, ao enunciarmos os etcs., comumente ouvimos seu complemento: e tal. Como o tal  é um pronome demonstrativo (tal pessoa, tais pessoas), precisa concordar com o etc. (e outras coisas) que ele acompanha.  Mesmo na pressa do discurso, deveremos dizer: ... etc., etc., etc. e tais.   Estranhíssimo, não? Mas correto.   

Três últimas informações a respeito do etc.: 

  • como a abreviatura concentra um "e" (et), não se emprega o "e" antes dela;      Errado: Compramos frutas, legumes e etc.                                                         Correto: Compramos frutas, legumes etc.
  • pelo mesmo motivo, não se emprega vírgula antes do etc.: Lemos os diferentes relatórios, discutimos alguns itens deles, refizemos algumas cláusulas etc.               Obs.: na repetição do vocábulo, a vírgula aparece pela repetição, não pela abreviatura;
  • como o etc. exige o ponto do corte da palavra para formar a abreviatura, não se emprega  um ponto  a mais quando estiver em final de frase. O ponto da abreviatura serve como ponto final da frase.  Isso ocorre com outras abreviaturas em mesma situação:   Os pagamentos deverão ser efetuados no Banco do Brasil S.A. 

        
Inter caetera (ou coetera) (pronuncia-se: /inter cétera/) - entre outras coisas:  
               Na reunião, Pedro levantou as dúvidas dos clientes sobre condições de
               pagamento e prazo de entrega de produtos, inter caetera. 

Finalmente, por estarmos em época de férias escolares, desejo-lhe bom descanso, bons passeios, boas leituras livres inter caetera.